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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Consumo de música na era digital

Por: Osvaldo Marques


Os tempos modernos finalmente chegaram e com eles, uma série de ferramentas de exposição, divulgação, circulação e consumo na área musical. Mas, como tudo isso funciona?


Há tempos que os músicos sobreviviam com a maior parte de suas rendas vinda através dos discos vendidos. Os tempos mudaram e a maior vantagem dos cantores, hoje, é expor seus trabalhos através da internet, popularizando assim suas obras para lotar os shows e ganhar maior parte de suas rendas nas bilheterias. A era digital e os novos aparatos tecnológicos, favoreceram para que o consumidor possa ouvir músicas através da internet, iPods e celulares sem nenhum custo, podendo até armazená-las em seus computadores. Os maiores arrecadadores na área digital são o YouTube e o Kboing, com os serviços de músicas custeados por publicidade. Em 2010 a Googgle passou a atribuir aos músicos e compositores o equivale a 2,5% do faturamento do YouTube no Brasil através do acordo firmado no ano passado.

O valor não vai para todos os músicos que possui arquivos disponíveis em páginas virtuais para download gratuitos. O ECAD adotou uma regra de distribuição que leva em conta o número de acessos em que são baseados nos rankings do YouTube para definir os artistas que tiverem o número de visitas suficientes para receber o pagamento.

Os novos aparatos favorecem ao crescimento musical na Era Digital



Para o cantor e compositor de blues, Álvaro Assmar, o mercado tecnológico e a era digital servem como ferramentas de entretenimento, para postar músicas através do celular e até dar entrevistas para rádios de outros países. Para Álvaro a pirataria não atrapalha em seus trabalhos, até porque seu público é “diferenciado”. Quem gosta de suas obras, segundo o músico, compram seus CD´s originais, “é uma questão de propósito”, afirma o compositor. Ele fala que a tecnologia veio para agregar, mas que adiferença entre comprar um CD original ou pirata, é que além das informações detalhadas no encarte, a durabilidade do disco é muito maior. Álvaro completa sua fala e diz que os downloads e os CD`s piratas ajudam para conhecer as obras e saber se vale comprar o original nas lojas ou não. Mas, a sua preferência é ter os originais em sua casa.

Para Filipe Dunham, estudante de Jornalismo e do grupo de pesquisa de Novas Midias da Faculdade de Comunicação da UFBA, a tecnologia favorece os cantores, produtores e compositores que desejam divulgar suas obras sem precisar passar por grandes indústrias musicais. Hoje, no campo dos produtores e artistas, há ao dispor deles, variadas formas de divulgação e distribuição de seus produtos. E o principal: toda essa disposição existe a um baixo custo. Não é mais necessário fazer parte de um grande grupo fonográfico e ter um enorme investimento financeiro para ganhar visibilidade, ficar conhecido e ganhar fãs. As novas plataformas e as novas tecnologias se constituem na democratização dos meios técnicos de produção, o que torna possível se desprender das grandes empresas e da sua lógica verticalizada de distribuição. Para o público, a gama de opções do que ouvir está muito maior.
Para Filipe, a Internet e o crescente acesso massivo ampliaram as possibilidades de todos os envolvidos no processo da indústria da música, desde músicos, produtores, até público consumidor.

Para Filipe Dunham, as lojas vendem músicas em formato digital continuam faturando bastante. Ele fala que na Internet, o número de novas plataformas e novos modelos de negócios vem crescendo. Novos intermediários surgiram no setor da indústria musical. O estudante fala cita a Apple como exemplo. Uma empresa que antes nunca tinha trabalhado com o mercado cultural, hoje é uma gigante do ramo, através do iTunes. Para ele, talvez seja a maior loja de músicas do mundo, levando em conta quantidade de produtos vendidos, ainda que sejam arquivos digitais. A venda de música através do celular já é uma realidade. Parcerias entre empresas e artistas, pautadas em publicidade e anúncios, não são tão estranhas no comércio musical atual. O Pesquisador fala que as estatísticas mostram que o público dos shows, concertos e festivais vem aumentando cada vez mais e isso se tornou uma ótima fonte de receita para os artistas. O estudante fala que alternativas de fonte de renda surgiram, para compensar o declínio do modelo de negócio que predominava anteriormente.

Para ele, antes, estávamos reféns dos grupos fonográficos e éramos obrigados a atender suas exigências para consumir um produto musical gravado. Hoje, através da prática do download, do streaming e do crescente acesso à Internet, temos uma facilidade maior em encontrar e consumir determinados bens culturais. Filipe enxerga de maneira positiva a nova forma que o público atual encontrou de ter acesso aos produtos, pois, para ele, isso representa uma libertação ante a verticalização da indústria do entretenimento, no esquema broadcast, modelo de negócios que predominou durante o século XX no setor cultural.

Filipe Dunham acha que o atual cenário musical possibilita uma distribuição de arquivos musicais a baixo custo, e que o público tem plena facilidade de encontrá-los, sem, necessariamente, as amarras dos grandes veículos e das grandes gravadoras “Sem contar que o artista independente pode vislumbrar um cenário muito mais propício do que antes, na época em que as vendas de discos físicos imperavam e era o principal motor da indústria da música. Tal lógica era cara, e pequenas gravadoras e selos que não detinham tanto poder financeiro, não conseguiam expandir seus horizontes comerciais, haja vista que os valores para gravar, prensar, distribuir e divulgar eram enormes” Afirma Filipe.

Quanto à limitação aos acessos digitais, O pesquisador e estudante de Jornalismo acha que não deve ser restringindo. A Internet e as novas mídias surgem para democratizar o acesso aos bens culturais. Não há sentido em restringir. O estudante acha que, através desse acesso, devam existir formas de lucro alternativas para a indústria, já que não há nada mais justo do que um artista e todos os envolvidos na cadeia produtiva musical serem remunerados devidamente pelos seus trabalhos.

Os consumidores musicais também aderiram à nova modalidade e o que foi constatado é que a maioria prefere baixar músicas através de downloads e dos aparatos da era digital, mas há muitos que não deixam de comprar seus CD`s nas lojas. Para Cleide Soares, 34, pós-graduanda em Marketing e Publicidade Digital na Faculdade Faculdade Dois de Julho – FDJ - o mercado fonográfico está falido, pelo fato de o povo consumir as músicas através de downloads. Ela acha que quem compra CD`s originais é porque gosta do autor ou quer ter informações detalhadas sobre obras. “A tendência é que cada vez mais as pessoas deixem de comprar CD`s originais, já que a internet disponibiliza downloads”, reitera a pós-graduanda.

Já Renata Buriti, 26, estudante de Ciências Sociais da América Latina, da Universidade de Colônia Alemanha - Universitat Zu Holn , prefere comprar seus CD`s originais nas lojas, mas, também tem o hábito de fazer downloads através da internet. “Pessoalmente prefiro consumir música da forma mais clássica, vou à loja, compro um CD e pronto. Mas percebo que na verdade consumo cada vez mais música por meios digitais por ser prático e barato, através de portais na internet. Acho que para o consumidor é muito bom, principalmente, porque se tem acesso a estilos e culturas antes inacessíveis por razões financeiras ou falta de divulgação. Acho também que algo se perde nesta troca: por um lado artistas têm mais oportunidades de levar sua música a um público maior e assim tornarem-se mais conhecidos, por outro lado, enfraquece (talvez) a ligação mais pessoal com o artista e sua obra que é estabelecida quando o consumidor vai à loja, compra o disco do artista e se ocupa com sua música. Resumindo: por um lado a música se torna mais acessível às massas, por outro ganha o caráter de apenas mais um produto”, afirma Renata Buriti.
Liderico Neto, 25, que é assessor de imprensa da banda Cangaia de Jegue, acredita nos benefícios que a tecnologia digital traz para novos autores e consumidores musicais.

Osvaldo Marques: Como você enxerga o espaço dos produtores, cantores e consumidores musicais com os novos aparatos tecnológicos disponíveis para ouvir música?
Liderico Meira: Tudo que facilita ao acesso ou aumenta a qualidade da música que chega até a população é benéfico. Acredito que a tecnologia veio para somar positivamente para o mercado fonográfico. E certa forma vai modificá-lo.
Osvaldo Marques: Quais as principais consequências para o mercado, cantores e consumidores?
Liderico Meira: Vão forçar os compositores, cantores e consumidores a se comportar de outra maneira. Como o mercado exige uma forma de obtenção de lucro eles se adaptam para conquistar os consumidores e convencê-lo a comprar música, mesmo com toda facilidade de encontrá-la gratuitamente na internet. Além disso, vêm nascendo novas opções de consumir música, agora é possível onde você estiver.
Osvaldo Marques: O que favorece e desfavorece para cada um?
Liderico Meira: Para o consumidor serão novas opções de ter os produtos que ele deseja com a facilidade da internet. Porém o mercado deverá se adaptar e encontrar maneiras de tornar a música e suas formas de consumi-las interessantes o bastante para que as pessoas paguem por isso.
Osvaldo Marques: Por qual razão você acha que deveriam estabelecer limitações para o acesso?
Liderico Meira: Não acho que deveria haver limitações, só maneiras de monitorar para que de alguma forma os compositores sejam beneficiados com a distribuição de suas músicas. Atualmente, ouvir música é uma ação que está presente em qualquer momento, onde quer que a pessoa esteja.

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