Reutilização de água, iluminação natural, aquecimento solar e outras tecnologias. Atualmente é muito comum ouvir por aí, principalmente por meio de campanhas publicitárias de construtoras, todas estas propostas de racionalização de recursos naturais reunidas nas expressões eco construção ou prédios verdes.
Segundo o Conselho Internacional para a Pesquisa e Inovação em Construção (CIB), o empreendimento sustentável é aquele que restabelece e mantém a harmonia entre o ambiente natural e construído, confirmando a dignidade humana e estimulando a igualdade econômica. Mas muita gente que compra unidades em edifícios residenciais com estes valores não sabe nem do que se trata.
A administradora Mariana Kaercher, 28, acabou de adquirir um apartamento novo no Horto Florestal, mas confessa não ter se preocupado com as medidas ecológicas tomadas pelo empreendimento. “Acho importante, mas o assunto nem passou pela minha cabeça na hora da compra. Aliás, nem sei muito bem do que um prédio precisa para ser sustentável”, confessa.
Certificações
De acordo com o diretor de engenharia da Odebrecht Empreendimentos Imobiliários, Paulo Aridan, os donos de empresas são os que mais procuram pelos prédios verdes na hora de montar seus escritórios. “Eles exigem certificações que comprovem tal posicionamento, pois sabem que as soluções implicam em redução de custos”, diz.
As certificações às quais Aridan se refere partem principalmente do Conselho Internacional U.S Green Building Council (USGBC), organismo que oferece o selo LEED (Liderança em Energia e Meio Ambiente no Projeto ou “Selo Verde”) para os empreendimentos que contemplem itens como eficiência no uso da água; localização sustentável (que permita acesso a serviços); economia de energia; gerenciamento de resíduos e controle de emissões atmosféricas. O selo Acqua, da USP, é o mais utilizado no Brasil. A Coelba também faz a sua avaliação, mas por meio do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) desenvolvido pelo Procel e pelo Inmetro.
Em Salvador, construtoras como a Syene, Odebrecht, Fator e OAS já possuem a certificação Acqua em empreendimentos recém-lançados no mercado. As soluções agregam, além da racionalização de água e energia, pintura sem COV´s (componentes orgânicos voláteis) e cimento CPII, que reduz emissão de CO2.
De acordo com o presidente da Ademi-Ba, Nilson Sarti, será lançada, no mês de novembro, uma cartilha para orientar as empresas associadas com informações de toda natureza sobre ações socioambientais. “Não se trata de uma forma única, infalível, mas sim de uma orientação para facilitar a adoção de práticas preocupadas com o meio ambiente e o equilíbrio social”, explica.
É importante lembrar
De acordo com o engenheiro civil Bruno Santos, é preciso tomar alguns cuidados para saber se a escolha por um determinado prédio que se diz “ecologicamente correto” é válido. O primeiro deles é exigir a comprovação das propagandas vistas no material de divulgação da construtora através dos certificados. “Como as empresas diluem o investimento em tecnologias no preço das unidades, é importante estar atento para não ser enganado”, ensina. Outra dica é pesquisar o histórico da empresa para avaliar o comprometimento com o meio ambiente. “Se a empresa tiver outras qualificações no que se refere à responsabilidade socioambiental, o cliente que se preocupa com a sustentabilidade se sentirá mais seguro”, conclui.
Itens presentes em edifícios sustentáveis |
Saiba mais!
O primeiro prédio soteropolitano a utilizar energia totalmente verde foi o Trapiche Pequeno, no Comércio. Toda a energia utilizada pelo edifício de três andares provém de placas solares e do cata-vento eólico instalado no topo da construção. “Estamos na vanguarda da sustentabilidade em Salvador”, comemora o cineasta Bernard Attal, idealizador do projeto.
Infográfico: http://www.flickr.com/photos/rubenspaiva/4148850482/
Nenhum comentário:
Postar um comentário