Músicos e técnicos de som avaliam de forma positiva os recursos proporcionados pelas novas tecnologias.
Danilo Sampaio Guerra
Os avanços da tecnologia digital transformaram o modo de operação dos profissionais que trabalham com gravação de áudio. O antigo processo analógico de gravação musical foi substituído pela conversão digital, modificando a concepção sobre o trabalho com áudio. As máquinas de gravação de fitas de duas polegadas, encontradas nos estúdios, deram lugar aos hardweres e computadores, que têm maior capacidade de armazenamento e ocupam um espaço físico muito menor.
O músico e gerente de vendas da loja de instrumentos musicais Foxtrot, Alfredo Martins Júnior, vivenciou a época em que as gravações eram feitas em fitas de duas polegadas, na década de 80, e acompanhou as inovações trazidas pelo advento da era digital. Segundo Martins, o processo analógico era muito caro e dependia da presença dos músicos nos estúdios. Havia uma limitação de recursos no trabalho de edição, se comparado ao processo atual. “As fitas eram cortadas com gilete e literalmente coladas, caso o editor quisesse fazer uma emenda em uma música. Hoje em dia, a revolução digital proporciona facilidades para criar e produzir sem custos elevados. A gravação digital se aproxima mais do conceito de sustentabilidade. O analógico envolve um composto químico que causa impacto ambiental”, diz o músico.
Ainda segundo Martins, os músicos eram muito dependentes das gravadoras. A gravação digital trouxe uma maior autonomia para os artistas, além de flexibilizar a forma de trabalho.
O maestro Carlos Aguiar conta que teve resistência em aceitar a tecnologia digital de gravação, por não ter conhecimento sobre a novidade. O maestro acredita que o advento digital representa a grande revolução na área do áudio. “Com a tecnologia moderna, um único músico pode gravar uma orquestra completa, editar, mixar e masterizar, sem sair de casa. A produção de discos, da forma como acontecia nos anos 70 e 80, com todos os músicos tocando ao vivo, utilizando mais de cem canais das mesas de som, já pode ser considerada obsoleta. Todo esse aparato, agora, faz parte de peças de museu. A gama de recursos que os novos softwares, que simulam timbragens e efeitos, proporcionam, deixa claro que a digitalização da sonorização é a forma mais eficiente e prática para gravação de áudio. É o caminho da modernidade, o futuro da música”, diz Aguiar.
O técnico de som e produtor musical Vicente Rangel diz que ficou muito impressionado quando trabalhou, pela primeira vez, com o programa de protus, software que disponibiliza recursos de edição e gravação de instrumentos por canais independentes, evitando a interferência de outros instrumentos no canal escolhido. De acordo com Rangel, a possibilidade de arrastar uma faixa e colar na linha de tempo pretendida pelo técnico foi uma grande inovação na forma de editar áudio. Ainda segundo o produtor, o avanço tecnológico auxilia na divulgação do trabalho dos músicos, “quando existe a possibilidade de gravar uma faixa em estúdio e no mesmo período postar o vídeo clip na Internet para o público acessar”.
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