Os jogos virtuais firmam presença no cotidiano, mesmo abordando temáticas polêmicas.
Por Danilo Sampaio Guerra
As pessoas estão cada vez mais imersas no mundo virtual dos jogos eletrônicos. Os denominados games conquistam um crescente número de adeptos, independente da faixa etária de idade, gênero, ou profissão. Os conteúdos abordados são diversos. Os gráficos se aproximam da realidade, quanto ao lay out dos cenários e os protagonistas virtuais. Para muitos indivíduos, os games deixarão de ser um mero entretenimento e se estabeleceram como meio de renda.
Gabriela Lima, gerente de vendas de uma loja de jogos eletrônicos, admite ser uma jogadora assídua. A gerente pretende fazer uma faculdade de design gráfico para aprender a produzir jogos. Segundo Gabriela, buscar entretenimento nos games é uma espécie de válvula de escape para as tensões do cotidiano. “A violência é um aspecto divertido. Os filmes, também, são violentos. Os jogos de guerra, como o Call of Duty e o Buter Field, estão com a popularidade em alta. Os jogos de luta, como o Mortal Combat, dão oportunidade para se fazer, no mundo virtual, tudo aquilo que a pessoa não pode fazer na vida real. Todo mundo têm vontade de matar o próprio chefe, quando se sente injustiçado, por exemplo. Nos games podemos tirar esse estresse sem fazer mal a ninguém”, comenta.
O publicitário Thiago Ribeiro prefere a temática esportiva nos jogos. De acordo com Ribeiro, a violência gratuita promovida por esses meio não é interessante e deveria ser proibida. Contudo, a venda pirata traria esses conteúdos para os consumidores, mesmo se fossem banidos. “Não enxergo nenhum aspecto lúdico nos temas violentos. O jogo que mais me identifico é o Fifa 2011, pela forma como são descritos os jogadores de futebol. Conseguiram copiar o modo de agir pessoal, até mesmo o jeito de andar dos atletas. Existe uma variedade de jogadas, dribles e situações reais do esporte copiadas para o jogo. Provavelmente, assistir a uma partida do FiFa 2012 vai ser muito semelhante à uma transmissão televisionada de uma partida, pelo realismo”, diz Ribeiro.
O designer gráfico Igor Andrade destaca o jogo Elder Scrolls V, no qual o jogador atua como um caçador de dragões medieval, como o que há de mais moderno nos games, por proporcionar recursos interativos inéditos. Os games preferidos pelo designer são o Dead Island, em que o personagem principal tenta sobreviver em uma ilha povoada por zumbis, e o interativo entre usuários da Internet, Point Black, jogo de tiro ao alvo. Sobre a violência nos games, Igor Andrade avalia: “Acho perigoso quando crianças e pessoas com desequilíbrio emocional têm acesso a esses conteúdos. O difícil é saber quais são as pessoas que têm propensão a fazer besteiras por causa de um jogo. Para mim, nesses casos, cabe o acompanhamento dos pais e pessoas mais próximas. Porque não há como impedir que alguém acesse uma rede social com um jogo, hoje em dia”.
A psicóloga Cristiane Moura acredita que a violência contida nesses jogos representa um risco para jovens em formação. “A idade do desenvolvimento tem que ser respeitada”, afirma. Ainda segundo Cristiane Moura, o acompanhamento dos pais é importante, no sentido de disciplinar horário para estudos, diversão e exercícios físicos. “Não é saudável criar hábitos sedentários, tendo como única diversão os jogos eletrônicos. Há momentos para brincadeiras virtuais. Mas, os esportes devem ser estimulados”, conclui.
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